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A falsa segurança: desmoronando o castelo de cartas
Incrivelmente uma grande parcela das pessoas acreditam que terem um emprego com contrato assinado, seja via o modelo CLT, seja por um contrato PJ traz uma sensação de segurança. Será que a estabilidade no emprego existe mesmo?

Eu até entendo isso, pois durante muitos anos eu também vivi essa situação e sentia exatamente a mesma coisa.
O que a maioria das pessoas ainda não percebeu, ou se percebeu não quer acreditar no que está saltando aos olhos, é que essa segurança há muito tempo deixou de existir, nem vou entrar no mérito se de fato ela existiu algum dia.
O racional das pessoas, me incluindo nelas há alguns anos, é de que com meu emprego, eu tenho “garantido” o salário no final do mês, “haja o que houver”. Tenho uma série de benefícios, como férias remuneradas, vale alimentação, em alguns casos plano de saúde, seguro de vida, carro da empresa, etc.
Fora isso o profissional que tem um emprego dificilmente se enxerga num voo solo, olha que falo isso com conhecimento de causa, via de regra sente medo de perder “tudo isso”, se sente inseguro em “arriscar” uma empreitada na qual não tem certeza se vai dar certo, se no final do mês vai entrar dinheiro na conta para pagar seus custos mensais, sente medo de decidir tudo sozinho, sem ter com quem compartilhar.
Essa lista pode ir muito longe, normalmente essa pessoa não se vê fora do mundo corporativo, carregar uma “bandeira” que é o nome e marca da empresa na qual trabalham tem “valor” para elas, tem medo de perder o escritório, a rotina, os “amigos” do trabalho, o computador, o celular pago, o status e reconhecimento social e milhares de outras coisas.
O que eu levei anos para descobrir e quero provocar a reflexão aqui, é que na verdade já estamos nus, já não temos mais nada disso, a questão aqui não é de “se isso vai acontecer algum dia”, mas sim de “quando isso irá acontecer”?
Na verdade, a estabilidade no emprego está cada vez mais sendo colocada em xeque, o ciclo profissional médio no Brasil de hoje, há muito deixou de ser de dois anos e vem caindo de forma vertiginosa.
São várias as razões para isso acontecer, entre elas posso destacar: as empresas estão cada vez mais buscando reduções de custos, através da substituição de pessoas “mais caras” por outras “mais baratas”, fora isso as pressões por resultados de curto prazo são cada vez maiores, gerando uma rotatividade daquele que deixou de atingir o resultado muito rapidamente.
Outro aspecto que tem contribuído fortemente para a diminuição dos ciclos é que com o advento das tecnologias e as mudanças que estão acontecendo nos mercados, economia e processos, muitas vezes as empresas descobrem que já não precisam mais de uma pessoa em tempo integral para desempenhar uma séria de tarefas e estão substituindo um custo fixo por um custo variável, contratando pontualmente recursos, de empresas ou pessoas para realizar tarefas pontuais.
Essa disrupção que estamos vivendo, e provavelmente continuaremos vivendo pela brutal evolução das tecnologias da informação não irá arrefecer num curto espaço de tempo.
Vejamos algumas disrupções brutais que já mudaram o mundo, que já quebraram muitas empresas ou estão obrigando a tantas outras se reinventarem ou deixarem o mercado:
- O maior operador de táxi do mundo não tem um carro sequer – Uber
- O maior disponibilizador de quartos do mundo não tem um imóvel – Airbnb
- As maiores empresas de telecomunicações não têm infraestruturas – WhatsApp
- O varejista mais valioso do mundo não possui estoques – Alibaba
- A mídia mais popular do mundo não cria conteúdo – Facebook
- O banco que mais cresce no mundo não possui dinheiro – Society One
- A maior empresa de filmes e projeções não tem uma sala de cinema – Netflix
- Os maiores vendedores de software quase não escrevem códigos – Apple e Google
- O melhor gerenciador de trânsito não possui câmeras nem sensores – Waze
Isso porque nem entrei no mérito da revolução que estamos ainda prestes a viver com as impressoras 3D que irão esfacelar a grande maioria das indústrias, das empresas de logística, dos distribuidores, atacadistas, varejistas e tantos outros elos desta cadeia, pelo menos, do jeito que eles são hoje em dia.
Acho que já deu para ter uma ideia do que eu estou tentando dizer sobre estabilidade no emprego, ou seja, a pergunta que fica no final das contas é: será que o seu emprego ainda vai existir num futuro relativamente próximo?
Será que essa estabilidade no emprego que você sente, realmente existe?
Se o “castelo de cartas” cair, o que vamos fazer? Como será o futuro? Qual o caminho a seguir? Afinal, estabilidade no emprego existe?
Confesso que não tenho todas as respostas, contudo tenho a convicção que seguir o caminho do freelancer, ou consultor, pode ser uma alternativa muito interessante.
Portanto, minha dica é de que você comece imediatamente a pensar quais são as suas competências que poderiam ser “empacotadas” e oferecidas ao mercado.
Devemos lembrar que as empresas para se reinventarem, como já mencionei acima, estão de todas as formas tentando transformar custos fixos em variáveis pago sob demanda e necessidade.
Quem sabe ser um provedor desses serviços pontuais para uma dezena de empresas seja mais seguro do que ser mão de obra de apenas uma empresa!
Afinal se presto serviços pontualmente para 10 ou 20 empresas de vez em quando, se uma ou duas delas por conta destas mudanças tão radicais que estão acontecendo no mundo deixarem de existir ainda sobram outras.
E se a empresa que vai deixar de existir for a sua na qual você está empregado e lhe dá a “tal segurança”?
Lembre-se que colocar todos os ovos em uma só cesta é bem arriscado, isso meu avô já me ensinou quando eu era uma criança há muitos anos!
Porque então ainda tem tanta gente colocando os ovos em uma só cesta até hoje?
Pelo mesmo motivo que vemos os taxistas fazendo protestos contra o Uber, porque vemos as empresas de telefonia movendo ações contra o WhatsApp, os hotéis “chorando suas pitangas” contra o Airbnb, etc, etc, etc.
Porque no final essas empresas desta velha economia já morreram, só que elas não se deram conta ainda!
É uma pena pois se elas tivessem se dado conta tempestivamente, teriam alguma chance de se adaptar, mas quanto mais o tempo passar, mais certa é a sentença de morte delas, e do seu emprego “tradicional” também!
Enquanto a Kodak levou cerca de 35 anos para quebrar após inventar a câmera digital em 1975 e mandar “esquecer o projeto pois isso vai nos matar”, estes prazos são e serão cada vez menores.
Pense nisso e reavalie sua estratégia, será que você poderia começar a pensar em algo em paralelo ao seu emprego tradicional?
Será que você não deveria começar a construir uma ponte para o futuro?
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Um abraço,
Claudia e Flavio – Fundadores do Clube da Consultoria